sábado, 30 de janeiro de 2010

Luta silenciosa

“Sinto uma solidão mentalmente acompanhada”. Pensava Joana ao olhar pra garrafa d’água sobre a mesa. Queria concentrar-se para finalizar o seu trabalho da faculdade. Mas não conseguia. Tudo lhe exigia atenção. A garrafa, seus livros espalhados pela mesa, seu celular, sua bolsa e uma folha em branco sobre a mesa. Sentia-se efervescente e queria um motivo qualquer para sair dali e deixar sua mente se expandir. E perder-se por pensamentos fugazes, vagueando pelo mero pensar. Passados alguns minutos após deter-se a cada objeto que seus olhos alcançavam, ela escreveu o que sentia no caderno. Depois, insatisfeita, arrancou a folha com a mesma brutalidade que escrevera. Amassou-a e, após outra distração, esqueceu a bola de papel que havia se transformado o seu pensamento sobre a mesa. Eu achei em seguida e ri da ironia: estar numa biblioteca não pressupõe estudar e se concentrar. Ao contrário. Há uma luta silenciosa entre coisas e pensamentos que não vale a pena ser registrada.

Elisa Morsel

Nenhum comentário: