Costumo prever o meu dia com os primeiros sinais de êxito. Se aquilo que desejo não acontece é porque naquele dia não é o “meu dia”. Quando o é, o acaso favorece as ações por mim determinadas e evocam e até confirmam a minha singularidade. Lógica egocêntrica e besta essa. Poderia confirmá-la até morrer. Lá no fundo guardo a esperança do mistério da morte e da minha imortalidade. Haver mistério é melhor que saber, não? Ainda mais para o caso do “fim.” Mas antes de escrever isso, pensei no título deste post “desejos óbvios”, minha mente e meus dedos, me deram uma rasteira e me fizeram registrar isso. Talvez porque se encaixa com o que eu queria dizer: interpretar os acontecimentos ocorridos no nosso dia, mais que método é um desejo óbvio de singularidade. O outro é aquele duplamente óbvio, o desejo por outrem. Hummm e como venho desejando. E dou razão à Joana, na sua luta silenciosa, entre coisas e pensamentos, há outro personagem, ou personagens, os desejos da pele.
(...)
Fiquei na expectativa da sua ligação. E olha que ela nem me chama tanto à atenção. Marina é meiga e razoavelmente bonita. Nada além disso. Não há conversa profunda entre nós. Sua superficialidade me incomoda, às vezes, porque tenho que reciclar os mesmos temas das nossas conversas repetidamente. Só com um pleonasmo vicioso para expressar esses momentos. Ainda bem que o chopp é gelado e os goles frequentes. Mesmo assim, saio com ela. Seu conservadorismo é irritante. Mas ela tem um charme incrível ao olhar. Isso me satisfaz e me faz imaginá-la em outras posições. Porém, não suficiente para incitar qualquer iniciativa. Talvez a veja como uma TV, um ato passivo de se olhar, chato e sem graça, que muitas vezes continuamos olhando e imaginando.
Otávio Drummond

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