Desalinhando os cabelos, fazendo flutuar a poeira do canto da rua, ele veio entornar a leveza ao meu redor. Na medida em que caminhava, o vento deslizava no meu rosto, movendo, no seu curso desajeitado, os corpos leves dos casacos, das folhas, dos papéis pelo chão. Fui atravessando em direção contrária a dele, enfrentando-o, enquanto escorria no meu corpo sua força atmosférica, suave, tão cheio de ar de um sublime vazio que tive que encher-lhe de palavras para que ele as levasse e as espalhasse como numa manhã de sol de primavera.
Elisa Morsel
domingo, 10 de outubro de 2010
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