Depois de se sentir confuso e vazio, ele começou a rascunhar aquilo que lhe perturbava. Antes era preciso acender mais um cigarro. Acendia, assim, mais uma promessa de parar de fumar após o derradeiro. Mas havia uma justificativa convincente. Passava uma noite péssima, em claro, à espera do telefonema dela. Ele precisava contar-lhe:
"Fiquei ruminando o que você me disse. Ao longo desses anos pensei várias vezes em nós, em situações de viver aquilo que nos
perturba e une. Como também pensei naquilo que me afasta de você. A minha inconstância contigo não é algo proposital. O que sinto por você é tão forte e estranho que resiste ao tempo. ‘Forte’ porque é dotado de uma força misteriosa e visceral. ‘Estranho’ porque não sabendo ao certo o que é isso, está sempre em ‘suspensão’ e volta e meia toma os meus sentidos. Ou porque não foi vivido o suficiente para esgotar-se em si, ficando, assim, esse mistério residual".
As cinzas vão polvilhando a folha de papel. Cada tragada, novas marcas. Ele a espera. Sempre a esperará. Ele só não sabe até quando. Enquanto isso, o seu último cigarro se apaga.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
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